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Jornal RelevO, imprimindo literatura no mundo

Apresentamos o jornal impresso RelevO, sediado em Curitiba e distribuído para todo Brasil. Voltado para cena cultural, em especial para a literatura, o jornal já conta com mais de 100 edições de forma independente e com qualidade primorosa.

O RelevO é um projeto artístico e intelectual, ou seja, não está aí para satisfazer ou obedecer às ordens dos algoritmos e ritmos da propaganda e do mercado. Qual a mágica pra pagar boletos com isso em mente?

O ciclo de um jornal de papel e de literatura resume-se a três etapas: pagar a gráfica, pagar a distribuição e pagar a equipe que contribui com o periódico. Tudo o que entra a partir de assinantes, anunciantes e doadores é direcionado para essas demandas. Não dá para dizer que uma frente é mais importante do que a outra. Sem a gráfica, não há os envios. Sem a redação, não há gráfica e envios. Temos um custo operacional relativamente baixo: seis mil reais por mês. De uns dois anos para cá, a média de entradas de assinantes varia entre quatro e cinco mil reais; anúncios, entre quinhentos e mil reais. São com esses números que projeto o pagamento dos custos. Em alguns meses, as renovações sofrem alguma baixa; em outros, menos anunciantes investem no jornal, e os valores entram sem obedecer a uma lógica exata, embora o começo do mês seja sempre melhor do que o fim do mês. Então, penso em promoções eventuais, em reforçar os nossos diferenciais editoriais. A nossa comunidade de apoiadores nunca decepciona. Enfim, há pouco de lúdico ou inventivo em manter financeiramente um jornal de papel e de literatura, e mantemos porque ainda sobra, em meio a essas dificuldades, bons espaços de diversão e de invenção no quesito editorial. É um privilégio ser editor e escolher bons textos para imprimir.

ezgif.com-resize Jornal RelevO, imprimindo literatura no mundo Arte na Rua Acervo

A nossa comunidade de apoiadores nunca decepciona. Enfim, há pouco de lúdico ou inventivo em manter financeiramente um jornal de papel e de literatura, e mantemos porque ainda sobra, em meio a essas dificuldades, bons espaços de diversão e de invenção no quesito editorial.

Depois de mais de 100 edições, como vocês enxergam a cena contemporânea, mercado e autores?

Busco não confundir meio e mercado literário com literatura. As pessoas do meio literário buscam e forçam seus caminhos, fazem seus jogos, batalham seus espaços. O mercado literário, feito por pessoas, reproduz em uma certa escala os interesses de pessoas que estão nisso aí do negócio difícil da literatura.

Praticamente não frequento lançamentos, saraus, jantares, e vou a feiras e festivais geralmente a trabalho, para contar a experiência do RelevO. Prefiro a leitura silenciosa de originais e a permanente busca por ler o que veio antes. Não acredito ser possível observar uma totalidade a partir do olhar diminuto de um periódico de quase dez anos, apesar do volume de recebimentos. O que penso volta à direção da escala: sofremos pela ineficácia de políticas históricas de educação e de letramento. Somos um país que sofre de artistas que produzem para um público ausente ou pequeno. 

Conte-nos um pouco da origem do jornal.

O RelevO surgiu como ideia em agosto de 2010, quando estava no segundo semestre do primeiro ano de Jornalismo, na Universidade Positivo (UP), em Curitiba. Eu estava na disciplina de Design Gráfico e aprendi a diagramar. Aí pensei: já tenho experiência com entrega de jornal (fui entregador de jornais e de panfletos em semáforos por dez anos) e, quem sabe, consigo selecionar alguns poucos textos literários por mês. 

A primeira edição saiu em setembro de 2010, um jornal modesto de oito páginas, muitos problemas de edição e revisão e mil exemplares de tiragem, bancado por dois anunciantes que também eram amigos. Gostei da experiência e, a partir dali, o jornal foi dando um e outro passo para frente, para o lado, para chegar até o que é hoje: um jornal de 24 páginas, com seis mil exemplares de tiragem, 1100 assinantes e distribuição em todos os estados do Brasil. É pouco e é onde estamos.

é a poesia que pode mitigar as ansiedades, acalentar as dores inominadas, nos prevenir da matemática crua, entregar a beleza que o mundo quer nos esconder.

A poesia irá derrotar o dragão da maldade?

Não, não irá. A poesia é a própria derrota exasperada em ligações únicas de palavras. A poesia é derrotada por tudo o que está ligado à produção: pelo utilitarismo, pela velocidade do mundo, pela dificuldade cada vez maior de ser contemporâneo. Apesar disso, é a poesia que pode mitigar as ansiedades, acalentar as dores inominadas, nos prevenir da matemática crua, entregar a beleza que o mundo quer nos esconder. 

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