Yhoung S.M.O.K.E

Onde poesia é resistência, insistência para existir e respirar, brotam poetas dispostos a expor sua visão sobre o fatos, sua habilidade com o verso e a conversa, seu engajamento social. 

Escarcéu é uma série de poemas autorais. São declamados por seus autores e o lugar de onde vêm estes versos é a periferia. 

Chega de silêncios. 

Escarcéu. 

Você pensa que é bandido porque faz aviãozinho

Mas bandido que é bandido nunca trabalha assim

Vários menor se iludindo por essa vida errada

Bandido que é bandido tá de terno e gravata

 

O menor rodou pros bota com um beck’ em sua posse

Avião deles tá cheio de pó branco vê se pode

Bicarbonato na boca pra ver se desce assim

Presidente tá contente protegendo os amiguinhos

 

ParaFAL chegou no morro e é de uso militar

Como isso chegou lá eu vou ter que te explicar

As favelas brasileiras continuam nesse estado

Tem AK e Meia-Dois cedida pelo Estado

 

Essa guerra contra as drogas nunca foi entorpecente

Sempre foi contra favela militar e adolescente

O índice de suicídio continua em crescente

Seja lá do lado deles seja do lado da gente

 

Então vamos usar a mente vamos pensar lá na frente

Como vão ser as crianças nesse meio inconsequente

Então vamos usar a mente vamos pensar lá na frente

Como vão ser as crianças…

 

Nessa terra de Pelé que os pretin’ vira peneira

Com a chuteira na mão, a caminho da peneira

Arma é igual furadeira pro sobrenome pereira

Amazônia virou nome de indústria madeireira

 

A Vale não vale nada,esse marco foi esquecido

O povo feito de bobo e o dono da Samarco rindo,

rico, cheio de grana, milionário;

enquanto isso eu to pagando serviço comunitário.

 

Porque eu pixei o muro é crime ambiental

E Mariana come lama como ceia de natal

Num mundo patriarcal onde matam Marielles

Chega no carnaval embebedam as mulheres

 

Em terra de Dandara só se lembram de Zumbi

Chegaram em terra firme, escravizados aqui

Hoje em dia nóis’ tem que ouvir que racismo é mimimi

Que é a dor que não dói lá, enquanto mata nóis aqui

 

Antes de falar de vitimismo, antes de falar de viti…

Shiii! Por favor, se você não sente e nem entende

Então respeita nossa dor.

De andar pela rua e ser olhado atravessado

De atravessarem a rua quando te veem do lado

Ter o rosto perfurado por outro preto fardado

Que acha que virou branco por quê serve o Estado

 

O estado que quer esconder que essa terra é racializada

Que a população foi estuprada, por isso é miscigenada

Mataram cacique, porra! Mataram os nossos parentes

Os donos dessa terra toda e eu sou descendente.

 

Sou da terceira geração de pretos não escravizada

A segunda que a família não ta aldeada

Meus parentes aldeados eu nem sei se ainda estão vivos

Eu não sei da minha história, eles queimaram

nossos livros.

 

Onde os menor são criado pela mãe, sem o paim’

Meus irmãozin se matando tipo Abel e Caim

Sai da caverna, meu fi’, nesse frio quero os meus free

Escrevo pique Luiz Gama pra renascer os Zumbis

 

Eu luto como André Rebouças, contra minha morte a força

Eu sou ou KKK na forca,

E por mais que você torça, eu não vou cair

Em terra de Mahin, sangue preto mancha marfim

Vou terminar como dragão do mar, FIM!

FICHA TÉCNICA

Poeta: Yhoung S.M.O.K.E

Direção e Imagem: Suellen Paim de Melo

Edição de video: Rute Grael

Trilha: Henrique Santos (Pakkatto)

Produção: Revista Arara

POETA: Yhoung S.M.O.K.E

Yhoung S.M.O.K.E (Som, Música, Objetivo, Karma e Estudo) , mineiro de Juiz de fora, nascido e criado no bairro Santa Luzia, é um poeta marginal, MC, músico, produtor e artista independente. Inspirado na vivência própria, o artista busca por meio de suas composições expor e debater problemáticas vividas pela população brasileira da perspectiva de um jovem preto e vivo. Cursando a faculdade para se tornar professor, não por acaso, Yhoung se esforça para conscientizar jovens e adolescentes periféricos e pretos, buscando contribuir para com a educação nacional e deixar menos difícil que tais pessoas vivam e desfrutem integralmente de sua cidadania. Apesar de transitar por diversos gêneros musicais, como o funk e a bossa-nova, todas suas músicas e poesias carregam a essência do Rap e do movimento Hip-Hop como um todo. No Dia 17/04 foi lançado o seu videoclipe com a música intitulada “E Daí?” que discute e expõe o  descaso e a negligência com a situação de milhares de brasileiras e brasileiros em meio à pandemia. Tal lançamento foi feito em conjunto ao Zine “Um Novo Normal” que está disponível para venda. 

Suas obras podem ser encontradas no Instagram @jovenfumacinha, no Spotify (e todas as principais plataformas digitais) como Yhoung S.M.O.K.E, e no canal do Youtube “Fumacinha Records” 

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