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Roberto Menescal - Um Arquiteto Musical

Um livro sobre a vida de Roberto Menescal, coração da Bossa Nova, compositor e violonista capixaba que soube cantar as belezas cariocas como poucos. A obra é ilustrada por 300 fotografias que remontam a época em que ele se reunia descontraidamente com Ronaldo Bôscoli, Nara, Tom Jobim, João Gilberto, Marcos e Paulo Sérgio Valle, Carlos Lyra e outras feras da Bossa  Nova, para tocar e compor canções que se tornaram eternas. 

Aos 82 anos, com mais de 400 músicas gravadas no mundo inteiro por diferentes vozes e instrumentistas, e um papel mais que relevante na música popular brasileira, Roberto Menescal acaba de ganhar um livro sobre sua vida, escrito pela jornalista, pesquisadora e historiadora Claudia Menescal, prima do artista. A ideia surgiu há três anos, quando Claudia começou a ajudar Menescal a organizar seu acervo e descobriu raridades, entre fotos, gravações, discos, partituras, cartas e documentos antigos. O resultado poderá ser conferido neste mês de março, quando Roberto Menescal – Um Arquiteto Musical (Futurama Editora) será lançado no Rio e em São Paulo, com sessões de autógrafos da autora e a presença do compositor. 
 
A vida familiar, a juventude em Copacabana — quando morava no prédio em cima da Galeria Menescal, construída pelo tio engenheiro, Humberto Menescal — os primeiros encontros com a turma da Bossa Nova, as musas inspiradoras, os amigos, as parcerias inesquecíveis e — é claro! — as composições. Tudo isso está no livro, que não é uma biografia convencional, ou uma radiografia da carreira musical do autor de O Barquinho, mas, sim, uma coletânea de relatos biográficos, casos e fatos captados pelo olhar delicado de alguém que conheceu Roberto em um contexto mais íntimo. 
 
“Nossa diferença de idade parecia muito maior quando eu era pequena. Mesmo assim, acompanhei a carreira dele desde o início. Meu pai me contava tudo. Com o tempo, ficamos mais próximos e amigos. O livro é uma homenagem”, revela Claudia. 

Nascido em uma família de engenheiros e arquitetos, Menescal chegou a se matricular no curso de arquitetura para seguir os passos do pai, do tio e dos irmãos. Porém, a música o pegou de jeito, para desgosto de Francisco (o pai) que não via futuro na carreira de artista. Longe de erguer edifícios 
ou de projetar estradas, Roberto tornou-se, assim, um construtor de solos, acordes, harmonias e de grandes amizades, como sugere o título da obra.  
“Além do acervo pessoal, pesquisei outras fontes: jornais, revistas, vídeos antigos, livros, entrevistas, acervos de museus e institutos culturais. E entrevistei informalmente pessoas que conviveram e trabalharam com ele”, explica a autora. 
 
Para “amarrar” as pontas soltas de todas as informações que tinha em mãos, Claudia gravou horas de conversa com o primo, relembrando episódios, datas e acontecimentos marcantes. Como o dia em que ele conheceu a cantora Nara Leão, uma das melhores amigas e parceiras, cuja perda lhe causou profunda tristeza. Ou quando ensinou Luiz Carlos Miele, quase um hidrófobo, a nadar 
e mergulhar em mar aberto

“Não vivo do passado. Tenho saudade é do futuro. Mas achei o máximo a ideia de organizar esses registros em livro para que a memória não se perca”, avaliza Menescal, que apoiou a iniciativa desde o início.

A obra é ilustrada por 300 fotografias que remontam a época em que ele se reunia descontraidamente com Ronaldo Bôscoli, Nara, Tom Jobim, João Gilberto, Marcos e Paulo Sérgio Valle, Carlos Lyra e outras feras da Bossa Nova, para tocar e compor canções que se tornaram eternas. Reúne, também, depoimentos de artistas, alguns deles apadrinhados por “Menesca”, como é carinhosamente chamado. Nelson Mota, Antonio Adolfo, Leila Pinheiro, Cris Delanno, Wanda Sá e Ruy Castro estão entre os que falam sobre amizade, generosidade, carreira, encontros e relação profissional com este que, além de compositor e músico, é produtor e arranjador. 

Menescal conta que procurou não interferir ou exercer qualquer tipo de censura, deixando a autora bem à vontade para escrever. Mesmo depois de o texto pronto, avisou que iria esperar para ler o livro somente no dia do lançamento (17/3). Prefere a emoção da surpresa. Emoção, aliás, nunca 
faltou na vida movimentada de Roberto. Hoje, do alto de sua experiência e à frente da Albatroz Music, selo que criou em 1992, continua mais ativo do que nunca. Tocando, compondo, fazendo shows, produzindo discos extremamente bem cuidados, lançando novos nomes da MPB e despertando o gosto pela boa música nas novas gerações. 

 

 
*FICHA TÉCNICA* 
 
Título: Roberto Menescal – Um Arquiteto Musical 
 
Autor: Claudia Menescal 
 
Formato: 16 x 23 
 
Número de páginas: 288 
 
Encadernação: brochura 
 
Capa: arte de Cecília Moraes 
 
Publicação: Futurama Editora 
 
Edição: 1ª / Ano: 2020

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Roberto Batalha Menescal é capixaba, nasceu em Vitória, no Estado do Espírito Santo, em 1937.  

Instrumentista, arranjador, compositor, cantor e produtor musical. Aprende a tocar acordeão e dedica-se ao violão como autodidata. Posteriormente, estuda teoria e harmonia com Guerra-Peixe e Moacir Santos. Em Copacabana, frequenta as reuniões musicais no apartamento de Nara Leão acompanhado de Ronaldo Bôscoli. Juntamente com Carlos Lyra, abre uma academia de violão. Aos 20 anos, estreia profissionalmente ao lado de Sylvinha Telles. Em 1958, forma o Conjunto Roberto Menescal, que acompanha vários artistas e, posteriormente, é contratado pela TV Rio. Ao longo de sua carreira, Menescal produz vários discos da parceira e amiga Nara Leão. 

Em 1958, participa do show no Grupo Universitário Hebraico, no Flamengo e, em 1960, do show A Noite do Amor, do Sorriso e da Flor, na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro. No ano seguinte, a música O Barquinho, parceria com Ronaldo Bôscoli, é gravada no LP homônimo de Maysa. Participa da turnê nacional e internacional de divulgação do disco. Em 1962, apresenta-se como cantor no Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall, em Nova York. 

Ao longo da década de 1960, lança os LPs Bossa Session (1964), com Sylvinha Telles e Lúcio Alves; Bossa Nova – Roberto Menescal e seu Conjunto (1966); Surf Board (1967); A Nova Bossa de Roberto Menescal (1968); e O Conjunto de Roberto Menescal (1969). Entre 1964 e 1968, atua como produtor e arranjador de discos. Em 1968, Menescal e Elis Regina se apresentam no Mercado Internacional do Disco e Editores Musicais (Midem), em Cannes, e excursionam pela Europa. André Midani o convida para trabalhar na PolyGram. Torna-se diretor artístico e produz discos de Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Chico Buarque, Nara Leão, Maria Bethânia e Jorge Benjor, entre outros. Suas interpretações são incluídas em trilhas de novelas e filmes e, com Chico Buarque, compõe a canção Bye, Bye, Brasil (1979) para o filme homônimo de Cacá Diégues. 

Em 1985, ao lado de Nara Leão, retoma a carreira de instrumentista em apresentações no Brasil e no exterior. Lança o LP Um Cantinho, um Violão – Nara Leão e Roberto Menescal, que faz sucesso no Japão, onde os convidam para shows e a gravação do CD Garota de Ipanema. No ano seguinte, deixa a PolyGram e dedica-se exclusivamente à carreira de violonista, arranjador e compositor. Em 1991, presta depoimento para o programa Ensaio, da TV Cultura de São Paulo. 

Na década de 1990, grava os discos Roberto Menescal (1991), Ditos & Feitos (1992), Eu e a Música (1995) e Estrada Tokyo-Rio (1998), sendo esses dois com Wanda Sá. Em 1997, funda a produtora e gravadora Albatroz, pela qual lança CDs de Danilo Caymmi, Oswaldo Montenegro e Emílio Santiago. Em 2001, participa do Fare Festival, na Itália. Lança Bossa entre Amigos com Wanda Sá e Marcos Valle. Com o conjunto Bossacucanova compõe a faixa título e grava o CD Brasilidade. Dois anos depois, Menescal e Cris Delanno lançam o CD Eu e Cris. Em 2005, divide o palco com Wanda Sá e Miéle no show Benção Bossa Nova e atua como narrador do documentário Coisa Mais Linda – Histórias e Casos da Bossa Nova, de Paulo Thiago. Em 2008, apresenta-se com Andy Summers. Três anos depois a dupla lança o DVD United Kingdom of Ipanema. 

 (Fonte: Itaú Cultural)