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50: Uma Antologia de Julio Almada

Para comemorar seus cinqüenta anos de vida o poeta Julio Urrutiaga Almada lançou uma antologia com poemas selecionados em suas diferentes fases de criação poética. Julio é também tradutor e professor de Português no Centro Cultural Brasileiro no Equador. 

Poemas Mal_Ditos

Um poeta em seu reino dos céus

Tem sempre esse inferno particular:

Se cortando na sutileza dos véus

Olha no olho do que há a revelar

Vê claro o que claramente oculto

É o mais escondido dos tesouros.

logo o acusam de estar em surto

ao dançar com a alma dos touros.

Chega de promessas do paraíso

repleto de prazeres artificiais.

Escrevo uma dor ácida e aviso:

sou o menos morto dos mortais!

Vestido com a ousadia nua:

Como flor de lótus nos funerais.

Quero a tinta que a beleza sua

E deitar vivo, aonde a vida jaz.

Do livro Poemas Mal_ditos

Fora de Moda  

  

Um bando de ovelhas negras  

Tosou o pastor de roupas brancas.  

Não precisa de pele nem alma:  

Quem tem as vestes tão alvas;  

Quem tem as falas tão brandas;  

Quem sabe por onde todos  

Têm o modo certo  

De chegar não sei onde;  

Deus me livre esperar  

Um julgamento.  

Eu que ainda não sou  

nem ovelha negra.  

Eu que de rebanhos  

Quero distância,  

E me visto  

Só com a alma:  

Que para viver de aparência  

Além do olhar maquiado,  

Sempre há um gasto de tempo.  

Quem vive muito: morre cedo.  

Comemorar um aniversário é manter a memória acesa e acessada. Nada melhor para provocar a virtude da memória e sua beleza que ler poemas de diferentes fases. Em 10 livros e outros textos avulsos: Eu Li 50 poemas novamente: eles me leram durante esses anos de vida. Cinquenta é um livro que fala da poesia que eu vivi e vivo. São muitos outros os poemas já escritos durante meus 50 agora 51 anos de vida e mais de 35 de trajetória na literatura mas esses particularmente chegaram primeiro para falar da minha vida e um pouco dos outros poemas que sem dúvida nenhuma: também devem ser lidos. Julio Urrutiaga Almada – Guayaquil, 16 de setembro de 2020

Para saber mais:

juliourrutiaga@gmail.com

De Olho: Embriagado  

  

Conheci Junkies on the rocks  

Que tristes pareciam  

Na meia-noite do mundo  

Sem música e poesia  

Trash on the street  

E pó de nostalgia  

  

Andei mil lábios e nem desfaleci  

E quando de olhos abertos  

O mundo parecendo certo  

Mostrou-me o sangue, o fogo e a flor  

De pronto era Alice e o país das maravilhas  

Não passava e eu nem sabia  

De um conto de fados  

E uma cama para sempre vazia  

Na última sessão de fotos  

Um flash dilacerou  

Meu coração cansado  

  

Conheci Junkies on the rocks  

Em ruas que não eram minhas  

Em dias que me caçavam  

De volta às mesmas esquinas  

Quando a lua já desistia  

De iluminar sagas ensandecidas  

Hoje molho no pão vosso de cada dia  

Minha pena de securas estarrecidas  

Meu olho quase morto onze da manhã  

E alguém à espreita da minha fugitiva vida  

Um amor verso a verso retalhando  

  

  

Minha dor na qual ninguém mais acredita  

E os maus mal parando em pé  

Numa solidão de viés quase comprometida  

Conheci sweet and darkness  

Far away my heart em plena descida  

E ruas de um gosto de sal  

Que o sol petrificou pra toda vida  

Andando só e mal acompanhado  

Quién supo hallar mi corazon alado?  

Será que alguém se esqueceu mesmo de mim, depois de algum tempo haver lembrado?  

Ou quem sabe aqui nos versos  

Só e de Olho: embriagado  

  

Posso dizer da vida seus mil lábios  

Com línguas de fel e equívocos nos armários  

Alma Andarilha

Há uma meia-tinta na palidez hoje:  

Os saciados forjam na fonte:  

O riso rasgado dos dias meio-vividos.  

A cor sangra luz no asfalto vazio  

E tombam os muros esmurrados há anos.  

  

Há uma meia-tinta na palidez hoje:  

E a dor para doer fala  

Um idioma estranho.  

Já não sei nada do que falta.  

Já me falta saber tudo.  

  

Há uma meia-tinta na palidez hoje:  

Ponteiros pontuam: Eu: há semanas:  

A corda desossa os barcos e reclamo:  

  

  

Há uma meia-tinta na palidez hoje:  

  

Há uma falta serena de cor  

Do que foge.  

Há uma falta na flor que consome.  

Meus olhos. Meu sangue. Meu nome.  

  

Há uma meia-tinta na palidez hoje:  

E um amor de visita preso na garganta.  

Um balde de sangue jorrando um brilho  

  

E um homem cinza dizendo:  

  

Há uma meia-tinta na palidez hoje.  

  

Um poeta pregando dedos na cruz  

Ao percorrer sua VIA dizendo o que sente.  

  

Há uma meia-tinta na palidez hoje:  

  

Um teatro de sombras;   

Um Espantalho de Flores;  

Um armário trancado;  

Um arcabouço de raízes.  

  

Há uma meia-tinta na palidez hoje:  

  

Um Franco-atirador voltando para casa;  

Um homem dizendo não por vez primeira;  

Uma lua afogada na falta de memória;  

Um Títere e seus panos de medo.  

  

Eu que não sei ser pálido.  

Eu que não sei ser cinza.  

Eu que não sei ser tíbio.  

Eu que não sei ser brisa.  

  

Há uma meia-tinta na palidez hoje:  

Um Grito de Loucos na noite  

V          a           z      i         a  

  

Há um susto no sol;  

Há uma flama de amor  

Mastigada no suor  

De um sangue em bemol.  

  

Há uma meia-tinta na palidez hoje:  

Um arcado anjo  

Na tempestade.  

Um calar de voz suada.  

Um flanco aberto às 6 da tarde.  

  

Há uma meia-tinta na palidez hoje.  

Um desdizer e um arfar.  

Um precipício sem pontes.  

Areia lambendo o mar:  

Um voltar sem “ondes”.  

  

Há uma meia-tinta na palidez hoje;  

Há um meio-dizer no que digo que ouço;  

Há um pálido tom no gostar de meu gosto.  

E minha vida feita vidraça ao longe.  

Em um Mapa sem Cachorros  

  

Em um dia fúnebre  

Antes da hora  

Do Mês dito Agosto  

O prato do pranto  

Foi a flor que chora  

Frio e nunca no ponto  

O meu verso é dessa  

Forma: fugidio inexato  

O sangue não é lágrima  

Mas bóia no mesmo prato  

E eu de mim tudo perdi  

Ao olhar inconformado  

Os dias no calendário  

Rasgados e putrefatos  

Para dizer do tempo: venci  

E nunca de fato  

Ter o tempo segurado  

Umas vezes ele me prendia  

Nas outras me degolava  

E o sangue doce foi  

Uma mesa vazia  

De esperar e embaraço  

Tudo o que eu antes dizia  

Hoje me olha estupefato  

Frangalhos meu sonho inútil  

Outroras meus simulacros  

Nem fingir mais eu sei  

  

  

De tanto que me zombaram  

E se o verso me verte algo  

Me exaspera ser: enfático  

Sou a metade do caminho  

De um fim que nunca sabe  

A que veio aonde termina  

se depois de tanta armadilha  

Compensa todo vil pedaço.  

 

Percursos poéticos de Julio Urrutiaga Almada: a poesia como arte da vida

Lívia Petry Jahn 

           Julio Almada inicia sua jornada poética brindando o leitor com a mais alta arte da escrita de poesia. Já na primeira página de seu livro encontramos a “estrela candente de hora incomum”, que transforma a vida, pois esta “alma da tua mão” / “onde a morte do: tempo, solidão”/” mata a morte de cada um”, faz o leitor viajar entre o fio que escorre da vida e o Rio Letes, que leva os mortos. 

            Do mesmo modo que o poeta surpreende o leitor com imagens oníricas e originais, ele também recria  a partir da tradição oral das cantigas de roda ( o anel que tu me deste era vidro e se quebrou/ o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou), na poesia Notícia, belamente inspirada nesta cantiga acima citada e dialogando com os poemas de Manuel Bandeira. 

          Assim, relendo Harold Bloom, o poeta deste livro, inspirado  na tradição popular, dá nova vida às famosas quadras poéticas, motivo de grandes poemas da Língua Portuguesa, vide Fernando Pessoa, e de canções populares do cabedal luso-brasileiro; bem como da literatura de cordel que existe ( e persiste) desde o século XVI – para citar o caso do Brasil. 

         Utilizando os recursos da intertextualidade, do diálogo entre tradição e poesia, Julio Almada consegue renovar a Língua Portuguesa através de seus textos, e com isto, ressignifica o fazer poético do século XXI. Neste âmbito, podemos afirmar que ele, Julio, exerce em sua ourivesaria poética, a “função social da poesia” como escreveu outro poeta, T.S. Elliot. Neste sentido, Julio Almada inova a linguagem quando utiliza palavras do cotidiano de forma singular, renovando a Língua e trazendo novas sonoridades e significados a palavras que já não cabem mais somente nos dicionários. 

         Na poesia do novo milênio há espaço para tudo: desde a alta literatura até personagens da cultura de massas, como é o caso de Drácula (Bram Stoker) que inspirou séries e filmes diversos e coube na forma poética do poema “Receituário”: “Já avisei, aviso sempre / Me matem antes da meia-noite “ (…) “ Meu coração estanca a estaca / bala de perto não é: a de prata.” 

         Revelando influências que vão de Baudelaire até Cruz e Souza, Julio Almada traz em sua poesia o gosto do não-dito, do não-revelado, do feio, do obscuro objeto do desejo, dos paraísos artificiais, dos visionários: daqueles que, nomeados de “loucos”, veem o que está para além dos véus das aparências e dos enganos. Assim, ele grita para o leitor quase surdo: “Chega de promessas do paraíso/ repletas de prazeres artificiais/ Escrevo uma dor ácida e aviso: / sou o menos morto dos mortais!” 

        O Amor e a Morte, a Solidão a dois, o ensurdecimento nas relações, são temas constantes na poesia de Almada. Utilizando-se de imagens sinestésicas, ele recria sentidos para tudo isso, como nestes versos: “O frio que me congela / não é o inverno./ Inverno aqui, verão em outras terras. / A terra que me preserva / não dá colheitas. (…)” 

        Se o frio faz gelar o amor, ele também é a falta do sopro da vida, numa terra morta, numa terra onde jaz a matéria, sem chances de colheitas, sejam de frutos ou metáforas. Aliás, Julio Almada é mestre em criar metáforas inusitadas tais como no poema “Sonrisa”: “Nessa noite não quero morrer / á míngua / Nem quero dizer sem nome / a dor que me aniquila.” (…) “Quero ser o meu pão de cada dia / antes que bafeje o sol / Vosso de outra vida.” 

         Com rimas interpoladas e ricas, aliterações e assonâncias, ele o poeta, recria os sentidos da Língua Portuguesa, que atravessou oceanos e plantou raízes onde o coração não cabe, mas cabe a razão do poeta fingidor, que “finge tão completamente / que chega a fingir que é dor / a dor que deveras sente” (Fernando Pessoa). De verso em verso, Julio Almada vai construindo um mundo só seu, particular, inexpugnável. Assim, ele próprio escreve: “A arte está em inalar-se / recompondo a quebra / por dentro. “ 

         Todo o artista é uma Fênix, renascido das cinzas de si mesmo. A escrita poética, é desse modo, rima e remédio, verso e cura das dores da alma. Nessa busca pela cura, o poeta pinta a si próprio: “Há meia-tinta na palidez hoje:/ há uma falta serena de cor / do que foge / Há uma falta na flor que consome / Meus olhos / Meu sangue / Meu nome.” 

          Entre amores fugazes e rotos, bebedeiras e flertes, o eu-poético deságua nas turvas ondas do desamor, das mágoas, do rancor. E, tomado da sanha de poetas como Baudelaire, ele flerta com os poemas sujos de um Ferreira Gullar; com  a poesia maldita dos Simbolistas; com o modernismo de Manuel Bandeira. Nesse amálgama de influências, ele adverte ao leitor: “Poesia morta, eu nascerei contigo / abre meu olho/ e nem a morte certa / fecha o que o olho neste instante / abriu como fresta.” 

          Enfim, Julio Almada e sua poesia são como vinho: há que degusta-los. E, quanto mais entardecem, quanto mais decantam, melhor o sabor de cada palavra. Que o vinho desta poesia te embriague, leitor! E, saboreando a música das palavras, deixes escorrer o néctar dos deuses por teus lábios, por teus ouvidos, por teu corpo inteiro, numa só partitura, numa só dança, neste livro que agora te pertence. 

Porto Alegre, 6 de setembro  

*Lívia Petry Jahn é pós-Doutora em Literaturas Lusófonas pela UFRGS / CAPES; Poeta; Escritora; Contadora de Histórias. 

A Deus: Curitiba  

  

Te entrego a Deus Curitiba  

Cidade que sempre nos pariu  

Pra dentro  

Que sempre fez vista grossa  

E um olhar sonolento  

De todos tão iguais e todos  

Separados cruelmente  

  

Do olhar longe de  

E a resposta gemendo em silêncio  

Não fale com estranhos  

Mas por favor   

não se assuste no espelho  

Acho que já faz tempo que o outro  

  

Não te consegue mostrar você mesmo  

Aqui aprendo a morrer e peço  

Não me mostre vida em polvorosa  

  

Porque eu verso sobre ficar na minha  

Só pra não sair de moda.  

Parte II  

Te entrego a deus Curitiba  
Cidade que sempre nos Pariu  
pra dentro  
Moro na Rua  
Chuta quem nela Mora  
Água fría no teu sono  
É o nosso calor umano  
A vida é mercadoria  
Para quem nao vale um osso  
Que é duro de roer  
Com a morte até o pescoco  
Curitiba nao me consola  
A nossa senhora nao dá luz  
Desconheco com quem falo  
Só há luz na indiferenca apagada  
Cantar a cidade  
E esquecer quem sofre  
É a cruel sinfonía da nobreza  
Sustentada por gente que morre  
De pobre.  

parte III  

  

Te entrego a deus Curitiba  

cidade que sempre  

nos pariu pra dentro  

Não jogue bala no chao  

Aqui é uma cidade limpa  

onde se joga sujo  

O tempo da ordem  

é largo  

mas nao é cumprido  

a faca na bota  

vence a revista  

A bota na face  

viola o previsto.  

O Poeta

“O nosso verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar de inteligência sobre nós próprios.” 

Marguerite Yourcenar

Nascimento: 15/06/1969.  

O verdadeiro lugar de nascimento é aquele onde você lança um olhar inteligente sobre você e neste sentido acho que dados de dia e local de nascimento servem somente para cálculo de mapa astral e reprodução da importância da territorialidade. Agora é importante destacar onde passamos certos eventos que nos moldaram, nos propuseram desafios. Vivi minha infância até os 12 anos entre o Rio de Janeiro e Curitiba.  

Aos 12 anos estava envolvido com a literatura, o xadrez e o teatro. Com 12 anos comecei a participar da feira do poeta na Casa Romário Martins em 1982 e no mesmo ano ganhei um concurso de contos infantis no estado do paraná – BPP. Fui frequentador assíduo da BPP desde os 10 anos. Verdadeiro rato de biblioteca (BPP-PR) – todos os dias – lendo, escrevendo, fazendo teatro ou jogando xadrez.Publiquei meu primeiro livro em 1984 pela Feira do Poeta – Casa Romário Martins. No mesmo ano também adaptei um livro para o teatro e montamos a peça com um Grupo de teatro dirigido por Paulo Reis.Viajei pela américa latina durante os anos de 1987 a 1989. Morei na Bolívia e no Equador. Desde esta época tive envolvimento na militancia política e social de esquerda. Atuei no movimento sindical (direção da CUT metropolitana) e movimento sem teto urbano (Movimento Xapinhal) nos anos seguintes. A partir de 2005 organizei a obra anterior à 2000 e passei a escrever e publicar constantemente. Participei dos Congressos Brasileiro de Poesia de Bento Gonçalves de 2006 a 2012. 

Atuei novamente no teatro com textos próprios em performances teatrais e tive textos representados por outros grupos. Participei da FIL-LIMA em julho de 2010 apresentando EL RIO de Javier Heraud, traduzido para o Português e editado pela EDITORA CPEC – LIMA(Perú). Em 2017 fui convidado para o Festival literário de Riobamba Equador. De 2008 a 2016 atuei como Editor/Revisor.  Declamei poemas autorais e participei de debates literários. No mesmo ano também comecei a desenvolver o projeto Poeta no Equador que visa a produção literária e depende de colaboração coletiva.  

Como resultado, organizei dois livros (50 e Aún Arde) e estou trabalhando na tradução ao espanhol do Livro de Contos Curtos Caderno de Ontem. Desde 2018, trabalho no Equador como tradutor e professor de Português no Centro Cultural Brasileiro mas agora tenho afetadas estas atividades devido ao enfrentamento à pandemia.   

  

Livros: Proesia (1984,Feira do Poeta -FCC), Instantâneo  Enlace (Poesia Reunida -diversas fases – 2003) inédito, Livro dos Silêncios (2006,Editora Corifeu), Aún Arde (Em Español, 2019) inédito, Poemas Mal_Ditos(2007,Ed. do Autor), Poemas Mal_Ditos (2009,2ª Ed. Alternativa), Em um mapa sem Cachorros (2009, Ed. do Autor), Beira do Caminho (Poesia Reunida – 2010,Ed. Alternativa), Hora Tenaz (2012, Ed. do Autor), Máquina de Moer Carma (2013, Ed. do Autor), O amor é um precipício do cão (2014,Ed.do Autor),Caderno de Ontem (2015, Ed. Do Autor), De Olho : Embriagado (2009,Ed.Autor), O Dia da Perdiz (em fase de conclusão).  50 – Antologia 50 poemas reunidos de diferentes fases em comemoração ao 50° aniversário do autor (2019) pela Editora Kotter(Selo Sendas) 2020- Em pré-venda: mande um email para juliourrutiaga@gmail.com

ENTREVISTA COM O POETA CHILENO LEO LOBOS

Tradutor, poeta, ensaísta e artista visual, Leo Lobos foi entrevistado pelo Julio Urrutiaga Almada para a Arara Revista. Dono de uma aguçada sensibilidade e autor de mais de uma dezena de livros, traduziu poetas brasileiros como Hilda Hist e Tanussi Cardoso e escreve para diversas revistas e sites.

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Mais do autor

Julio Urrutiaga Almada é poeta, escritor, professor universitário, tradutor literário e dramaturgo. Transeunte do Mundo. Identificado com a realidade latino-americana. Geminiano com ascendente em peixes e lua em câncer.