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Entrevista exclusiva com Matheus Goudar, jovem poeta de São Gonçalo

Matheus Goudar, jovem poeta de São Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro, tem uma poesia engajada e vibrante.  
 
Com performances memoráveis nos Saraus em que participou, o poeta experimental ligado à música nos fala de sua primeira publicação: o Zine Partenogênese. 
 
Uma chance ímpar de ver como o próprio artista disseca sua obra. Uma reengenharia onírica que desvela o processo de transformação dos significados, a urdidura e intencionalidade dos textos. 
 
Falamos também de seu processo criativo, de suas referências artísticas e visões sobre a cena contemporânea e, é claro, sobre a Poesia e seus caminhos. 
  
Ficamos muito felizes em poder dividir este bate-papo prazeroso e inspirador com nossos leitores. Explorem os links e saibam mais sobre este jovem talento da poesia brasileira. 

SINTOMAS ANUNCIADOS

a ignorância encarnada reclama seu prato de pólvora  
livros contam mentiras prescritas nos consultórios do abismo  
 
alvos brilhantes cravados nas testas atestam a grade 
a indiferença indigesta vomitando justificativas  
 
faces confusas lambendo o peso morto do horário  
preenchem a ficha de presença do dia do extermínio 
 

operário que sangra nadando em mar de navalha 
acorda a peste entalada no fim da garganta 

Oitenta Tiros

oitenta tiros calam um sol 
 
porcos devoram corpo de mais um astro caído  
 
nessa fome escrota 
 
as margens berram urgência  
 
filhas derramam o tecido da chuva 
 
filhos afiam o ferro com os dentes 
 
oitenta tiros em cada porco.

CÓLERA

existe um ruído mudo 
        na lacuna desses rostos 
        ressoa nas  paredes  
                                      — sem-cor 
                                           aparente 
 
                            ecoa ricocheteia 
        sobe-desce espiralado         ecoa  
        acerta ouvido errado          lábio fechado  
                                         atrito 
 

        dias insossos são  
        tatos não são tatos  
                                  pele quebrando 
                                  no despedaço da causa 
            há febre no giro do tempo 
 

        sorvo agulhas quando 
                                              brindando cólera  
        a casa ainda alaga quando chove muito  
CORPO-JOVEM-INSONE
corpo-jovem-insone 
tropeçando no meio-fio do limbo  
 

                   dança o desemprego 
                   sobre salões 
                                         suspensos 
                   respira cedo 
                   negocia com os cactos 
 

corpo-jovem-insone 
bafora o caos num trago 
 

                   bebe mais um pouco 
                   transpira tarde 
                   provoca terremotos 
                   no topo 
                   do umbigo dos homens 
 

corpo-jovem-insone 
deu um passo no escuro 
 

                   pixou nos degraus 
                         dos palanques 
                              dos deuses 
                                   de barro 
                                      eleitos 
 

             “eu sou a bomba 
      explodo tudo nessa porra” 
Influxos by SIMULACRO
Gravado em uma sessão a tarde na goma do Matheus. Influxos é o primeiro registro explanado do projeto Simulacro. São 8 faixas curtinhas que consistem em beats antigos e letras antigas, formando esse registro novo.
 
“Novos caminhos pros mesmos lugares”.

(Clique na imagem para descobrir)