Escarcéu - yASMIN RODRIGUES

A Revista Arara apresenta sua primeira série de vídeos de poesia declamada: Escarcéu. 

Onde poesia é resistência, insistência para existir e respirar, brotam poetas dispostos a expor sua visão sobre o fatos, sua habilidade com o verso e a conversa, seu engajamento social. 

Escarcéu é uma série de poemas autorais. São declamados por seus autores e o lugar de onde vêm estes versos é a periferia. 

Chega de silêncios. 

Escarcéu. 

POETA: YASMIN RODRIGUES

Me chamo Yasmin, tenho 18 anos, moro no Morro do Pinto, trabalho lutando pelos direitos das crianças e dos adolescentes, faço parte de um projeto Viaduto Literário , meu sonho é cursar licenciatura em história e fazer faculdade de direito, minhas maiores inspirações são os negros favelados que não abaixam a cabeça para esse sistema opressor e que lutam para que tenhamos nossos direitos garantidos. 

Escarcéu - Yasmin Rodrigues

FICHA TÉCNICA

Poeta: Yasmin Rodrigues

Direção e Imagem: Suellen Paim de Melo

Edição de video: Rute Grael

Trilha: Henrique Santos (Pakkatto)

Produção: Revista Arara

Levantei e abri a janela,  

Tinha tudo para ser uma manhã bela,  

Mas eu estava enganado,    

Foi só eu abrir a janela e era tiro pra todo lado.  

  

Isso está errado,  

Não pode ser possível,  

É só eu acordar e recebo a notícia que meu amigo tinha morrido,  

Adivinhem como ele era,  

Preto, pobre de favela,  

E o que mais me irrita,  

É que para muitos ele era só mais uma vítima,  

Não, não pode ser,  

Até quando esse genocídio vai acontecer.  

  

Vivemos em um filme onde mocinho na verdade é o vilão,  

Onde o vilão pede redenção,  

E a nação não aceitou o seu perdão,  

O jogado no chão,  

Por não sair de casa com uma Bíblia na mão,  

Olha que todos somos errados,  

Cometemos pecados,  

Julgamos sem querermos ser julgados,  

Nada disso é engraçado,  

Meu amigo era um cara irado,  

Solidário,  

Que amava ajudar os mais necessitados.  

  

Mas para muitos isso não importa,  

Pois para muitos ele era mais um favelado,  

Que poderia facilmente ser descartado.  

  

O sol já está se pondo,  

mas a operação ainda está continuando,  

Famílias chorando  

Um dos seus no chão sangrando,  

E lá se vai mais um inocente,  

“Quando vão tirar as mãos das armas,  

E por as mãos nas mentes”  

Tudo bem já sei que não saberão responder,  

Afinal preferes nos ver sofrer,  

Do que perder esse maldito poder.  

  

“Poder”, se é que posso chamar assim,  

Do que adianta o poder  

Se ele causa sofrimento sem fim.  

  

Mas do que adianta falar,  

Entra em um ouvido e sair pelo outro,  

Lembrando que não foram 10 balas perdidas  

E sim 10 balas miradas em um corpo!  

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