Quatro Poemas de Diego Wayne
HUMANOS DESUMANOS
Vivo entre injustosconvictos até suas raízes.Há tempos nessa guerra de cor e sangue,o mundo é um curral dividindo os sexos.Humanos, desumanosmas aos que me julgam, aponto o dedo do meioem sinal que sou de esquerdame alimento do que é real.Tem gente que só tem a aparênciae por isso se emudece.Sem máscara sou o que sintograças ao que agora seiposso gozar sem culpa!
EROS
Cama maciaPele sedosaArde no meioDa noite Atiçamos a brasaA nudez veladaA boca se abre faminta A fome não cessaA terra girapalavras escapamComo balões de ar Suor e salMomento irracionalNo peito o coração implodeA alma padece no intimo.
POEMA AOS TERRÁQUEOS
As flores não seduzemNem o sorriso ingênuo da criançaamolece o coração de quem escolhe o mauQuem odeia, odeiaNão há meio termoJesus na cruzAuschwitzBelsenPara alguns são apenas fragmentos da históriaPáginas sanguinárias escritas pelo homemQue diz amar, mas sangra seu próprio irmão. não aprendemosAs perdas não nos ensinamAs dores são esquecíveis para a maioria de nósOs anos passam e continuamos errandoNão sou judeu mas pesa sobre minha cabeça a coroa de espinhosSímbolo do pecado usada por meu pai. Quantos de nós ainda pereceram nas mãosDe quem não entende as diferenças? CalígulaMao tsé-tungHilterCom seu nazismo de pedraSeu olho cego de ódioO amor cura o ódio mata não somente o odiadoMas também quem o destilaA maioria não entende que nós passamosSomos finitosUm distúrbio nos espelhos e lá se foi a juventudePorem as pessoas são más sem pensar no amanhãMas tudo o que vai volta e cedo ou tarde a vida cobraQuem deu amor receberá amorQuem deu ódio…ódio recebera“ e ao menos que a genteAprenda as liçõesQue o medo e o horror ensinamAs trevas voltarão Mas com amorE a graça de DeusNós vamos aprender”. Hatikva (esperança)Hatikva ( esperança)
ROLETA RUSSA
A sabedoria que eu tenhoÉ muito pouca para certos atos humanosÉ o que sinto quando vejo o que nos tornamosPorque o que mais odeio em mimÉ que te amo tantoMas o meu amor não pode mudar a sua essênciaSua alma infernalSeu coração malvado que ainda sim bate por mimSuas atitudes durasComo suas palavrasNão há como parar suas mentirasSua ira desmedidaÉs meu céu , meu infernoO doce e amargo gosto do amorContinuo nessa roleta russa“porque o amor é o único jogoQue os dois podem sair vencedores”E por mais que eu chore enquanto te amoAinda acredito na poesia desmedida que nos tornamos.
Diego Wayne é capricorniano, paraense formado em letras língua inglesa pela UFPA e pós-graduação no ensino de artes. Tem poemas publicados no blog do Plástico Bolha, na Revista Bacana, Revista Ruído Manifesto, no blog literário Arribação e em antologia de jovens poetas paraenses. É professor na rede estadual do estado do Pará e ama o que faz Ama literatura e arte, música é o seu combustível. Publicou em 2018 seu primeiro livro de poesia ,Coração de Unicórnio (Rico editora).