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A poesia de Amélia Dalomba

Herança de morte
 
Lírios em mãos de carrascos
Pombal à porta de ladrões
Filho de mulher à boca do lixo
Feridas gangrenadas sobre pontes quebradas
Assim construímos África nos cursos de herança e morte
Quando a crosta romper os beiços da terra
O vento ditará a sentença aos deserdados
Um feixe de luz constante na paginação da história
Cada ser um dever e um direito
 
Na voz ferida todos os abismos deglutidos pela esperança
 
Amélia Dalomba, em “Todos os sonhos” (Antologia da poesia moderna angolana).. [Organização Adriano Botelho de Vasconcelos]. Luanda: União dos Escritores Angolanos, 2006

Amélia Dalomba é uma poeta e jornalista angolana. Formada em psicologia em Moscou, trabalhou como jornalista na Emissora Provincial de Cabinda, na Rádio Nacional, e atua como colaboradora do Jornal de Angola, onde tem publicado vários textos poéticos.

É um dos rostos visíveis da geração de escritores surgida na década de 80, na chamada “Geração das Incertezas” angolana que tem como principal temática a desilusão e a angústia diante da guerra civil de Angola.
(A independência de Angola foi estabelecida a 15 de Janeiro de 1975 e foi seguida por uma guerra civil que iria durar de 1975 até 2002)
Desencantada e inquieta, a poética desta geração, projeta uma visão escura da realidade angolana, germinando no terreno fértil da angústia e da desilusão com a nova nação independente, que se mostrou incapaz de cumprir as promessas de liberdade, de justiça e de igualdade.
Amélia-da-Lomba A poesia de Amélia Dalomba Contemporâneos
Os escritos da autora adotam uma abordagem dinâmica e politizada, motivada pela realidade e fortemente enraizada na cultura local.
A autora publicou as coletâneas nsia (1995), Sacrossanto Refúgio (1996), Cacimbo (2000), Espigas do Sahel (2004), Noites Ditas à Chuva (2005), Sinal de Mãe nas Estrelas (2008), entre outros.

A autora Amelia Dalomba declama um de seus poemas no primeiro encontro dos Poetas do Mundo, que reuniu 22 poetas internacionais em maio de 2012, em Cuba.

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